Há cerca de dois meses estou as voltas com Caetano Veloso... A idéia é escrever um artigo, mas é dificil não se preder no meio do caleidoscopio de idéias que surgem a partir da obra de Caetano. Percebi que, a partir dessa análise, poderei fundamentar melhor algo sobre a posição da música popular na cultura brasileira e sua tentativa de traduzir o próprio tempo em pensamento. Se é assim, seguindo Hegel, o espírito aqui não passou, ficou na roda e dançou o samba... selva das semelhanças, analogias e onde a água gira no ralo no sentindo inverso da Europa: América é lugar de Utopia, de querer inventar... sem ressentimentos com a América do norte, vamos arregaçar as mangas e seguir Caetano que achaque o Brasil vai dar certo porque acorda todo dia e faz o melhor para que isso aconteça... Posto então, pra ilustrar duas canções:Uma canção é pra isso, com o Skank e três canções com JOão Gilberto - pra homenagear Caetano nada melhor - Você vai ver, Desde que o samba é samba e Eclipse... me interessa o paralelo que se pode fazer entra a canção do Skank e Desde que o Samba é samba de Caetano: as duas apontam na mesma direção que me interessa...
Você vai ver, Desde que o samba é samba e Eclipse com João Gilberto
versão do anti-herói que um dia, interrompendo os presságios
dos caiporas, regressou à sua terra natal
de onde nunca saiu, pois residia em sua lenda,
encerrado nos moirões, gemendo sobre as cancelas,
ou pulando debochado e sensual no seu pé
de vento na capoeira e nos fundões de Goiás.
(Gilberto Mendonça Teles)
Existem bem mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. O limite entre o sagrado e o profano pode estar em um sorriso. A condenação do sorriso é uma necessidade para a preservação da sociedade. A seriedade das imagens aponta para uma ordem almejada para além da história. O herói sobe ao Olimpo e alcança algo de sagrado. Seu lugar é acima das contendas humanas. Alcançar o herói é buscar seguir o Destino de grandeza que sua figura representa. Ele é Destino e não história. Com sua seriedade, não se prende ao passado: seu olhar indica o futuro, o eterno.
Sua figura é limpa de qualquer nódua. É simples, objetiva. Transborda poder e penetra na alma dos que com ele se identificam. Sua dor é sóbria. Sua altivez é nobre. Contempla as fraquezas humanas com superioridade. Ascético e paternal, o herói é a lembrança de que podemos ser muito mais do que somos. Ele é o homem essencial.
Por isso mesmo, o sorriso da Mona lisa de Leonardo Da Vinci é subversivo. É um sorriso que não se estabelece, que se anúncia apenas. Seus olhos não se entregam a esse movimento e permanecem desafiando quem a encara. Suas mãos gordas – píntadas por quem estudava anatomia a partir de cadáveres, seu corpo inchado, trazem a morte como elemento. Suas feições andróginas, cínicas.Mas a Mona lisa não era uma heroína. Porém sua imagem corrompia os ideais de ordem.
Quando os heróis sorriem toda a hierarquia se curva. Se um herói é celebrado e eternizado com um sorriso provavelmente faz parte de uma sociedade bárbara. Um herói de guerra em um busto de bronze sorridente parece ser signo dalguma maldição. Do que ri essa figura?
A paisagem é o cerrado, ele mesmo contorcido. Eternamente barroco. Amante do fogo. Surreal como relógios de Salvador Dalí. O agá dos eróis goianos.
Na pele de Socrátes- baseado em texto de Woody Allen
Encontrei esse curta no youtube dirigido pelo Coelho de Moraes (que exatamente não sei quem é)... Achei interessante e se fundamenta num texto de Woody Allen...
O médico, escritor e filósofo nas horas vagas Flávio Paranhos está preparando um livro sobre o cineasta Woody Allen e a filosofia. Por enquanto dá pra ler seu texto no Jornal Opção resenhando um livro e indicando o caminho que não segue em suas análises: clique na imagem de Allen e confira.
Günther Anders: Lembrança de Heidegger. Março de 1984
"Pessoalmente mal conheci Heidegger. Uma vez em Marburg – esquece-me como isso ocorreu – pernoitei na casa do casal Heidegger. A conversa correu bastante bem, após um jantar em que comemos massa. Então citei, sem inicialmente nomear o autor, o magnífico dito de Voltaire: “Não basta gritar: é importante, também, não ter razão”. Embora totalmente destituído de senso de humor, ele se divertiu. Quando, porém, expliquei que o dito era de Voltaire, primeiro ela – após o quê, também ele – ficou de cara amarrada. Mas a noite só se estragou completamente quando eu continuei, no tom mais inocente do mundo, dizendo que, naturalmente, era válido também o dito simétrico: “Não basta murmurar: é importante, também, ter razão”. Enquanto ela, naturalmente, não entendeu nada, ele por um momento me lançou um olhar cheio de ódio. Sentiu-se posto a nu. Pois era sua tática diária forçar, através de um murmúrio quase inaudível, um silêncio total na sala, para convencer os ouvintes de que tudo o que eles tinham conseguido ao menos acusticamente capturar tinha sido “desvelado”, logo, verdadeiro; não: tinha sido a verdade." De: ANDERS, Günther. Über Heidegger. München: Beck, 2001, p.11.
Do blog do filósofo e compositor Antonio Cícero: http://antoniocicero.blogspot.com/ em comentário ele explicou que "Günther Anders foi marido de Hannah Arendt, que, como você sabe, era judia e foi amante de Heidegger, antes deste entrar para o Partido Nacional-Socialista. Se resta alguma dúvida sobre o grau dos comprometimentos nazistas de Heidegger, nunca houve nenhum em relação ao nazismo da sua mulher. A frase sarcástica de Voltaire foi apreciada por Heidegger, antes de saber que era de Voltaire, mas não depois, uma vez que ele tinha horror ao Iluminismo. Que dizer do que sua mulher devia pensar de Voltaire? Quanto ao final, é claro que Anders desmascarou uma técnica de Heidegger, que, cada vez mais, desprezava a razão -- ratio --, interpretando a Vernunft como vernehmen... "
“Escrevia por jogo mecânico, para refletir solitário sobre os seus próprios erros, iludia-se de não “criar” porque a criação, mesmo se produz o erro, se dá sempre por amor de alguém que não somos nós.” Umberto Eco, O Pêndulo de Focault
Resolvi retomar esse blog. Na verdade, no tempo que estive fazendo mestrado não poderia mesmo escrever com freqüência nesse espaço e, por vários motivos, tinha pouca coisa à dizer. De certa forma, existe aí uma crise de passagem nesses rituais que fazem com que o prazer de terminar uma etapa seja acompanhado pela dúvida do passo seguinte. No meu caso, a dúvida se estende as possibilidades de trabalho...
Fiz 27 anos em Novembro. Nunca havia me imaginado com essa idade. Acho que em sonho esperava muito mais de mim mesmo, mas, geralemente temos muito mais capacidade do que às pessoas imaginam e muito menos do que imaginamos. Triangulando e tirando a prova, o cálculo não faz sentido... dos 20 anos aos 25 dei aulas. Calculando, devo ter tido uns 2500 alunos em escolas públicas e particulares. Como Jataí tem cerca de 80 mil habitantes, é um bucado de gente da juventude... e um punhado de gente que pode (ou poderia) fazer diferença. É estranho pensar por aí. Pensar na importância que você pode ter (ou não ) para os alunos em sua formação e como essa troca também pode te fazer mudar (e perder as últimas ilusões).
No meu primeiro ano dando aulas, fracassei de modo grandioso. Quebrei a cara tentando experiências didáticas diversas que me ensinaram basicamente para onde não poderia ir... Depois passei a dar aula de história e novamente tive um periodo de experiências, mas com resultados menos desastrosos. Depois de dois anos consegui esboçar algum estilo e criar caminhos para fazer as coisas acontecerem em sala de aula de um modo que considerava interessante... lógico que nem sempre dava certo, e a coisa de fazer experiências é mesmo o comum: sempre fico nervoso dando aulas, ansioso... Quer dizer, nem sempre: numa época, estava dando tantas aulas, que me repetia, teatralizava mais do que seria prudente... Quando voltei a trabalhar com filosofia tinha que recomeçar do zero e entender como em 50 minutos semanais poderia ensinar filosofia para alunos que não tinham livros, numa escola que não poderia fornecer xerox de material para as aulas etc... além disso, tinha carta branca no curriculo, o que amplia enormemente a responsbilidade quando algumas universidades já cobram filosofia como mate´ria em sua seleção e outras não... o que ensinar? Um ano e alguns meses de experiência e quando achava que as coisas começavam a ficar bem interessante, tive que pedir demissão para me dedicar ao mestrado. Meu projeto de aproximar a filosofia do cotidiano dos alunos utilizando como intercessor a cultura de massa ficou no meio do caminho... e agora vamos começar de novo...
Não sei onde esse ano trabalharei, nem sei com certeza absoluta se conseguirei emprego... mas, vamos com calma. Vamos primeiro tentar resgatar esse amor que faz escrever, essa vontade de comunicar que justifica a insônia quixotesca...
Uma espécie de antropofagia vulgar é causa de muita anemia cultural. Citações explícitas, que serviriam para demonstrar alguma cultura, tornam-se um clichê tosco e só aumentam a dúvida sobre a falta do que dizer. É uma popice sem tamanho, uma popeira mesmo.
Entrei na net procurando ouvir algum pop rock nacional hoje. Mexendo um pouquinho encontrei alguma coisa dos pernambucanos tecnológicos Astronautase da banda curitibana Terminal Guadalupe. Procurava mais Pedra Letícia, mas nada de novo no front.
Os astronautasestão em destaque no My Space. Entre a idéia de um amore eterno e o mundo que pede tudo agora a banda sanciona: o amor acabou. De certa forma, pode dizer isso porque o amor já é "tudo" há tempo demais, popeira beatles. O realease de seu último CD diz: " Os Astronautas se preocupam com o imediatismo, com a efemeridade das relações nesta época de mensagens instantâneas pela internet, celular, GPS e blueberry. Eles sabem que não é possível fugir disso. Muito menos, lutar contra. Não serei eu a fazer papel de Dom Quixote, pois. Portanto, peço cinco minutos." Interessante né!Legal que eles não se comunicam só com som, incorporando vários elementos desse universo líquido, celebram a internet como refúgio e prisão. Paradoxos do tempo. Vale conferir.
A banda Terminal Guadalupeestá disponiblilizando sua discografia para download gratuito no site da Trama Virtual (Milagre não: o Banco Real e a cerveja Sol pagam a conta). É preciso se cadastrar no site para baixar (no firefox não consegui, mas com o explorer foi tranquilo). Na primeira audição o som parece certeiro... mas é preciso ouvir mais... Ecos de Humberto Gessinger no desvio dos clichês pra fazer novos clichês. Crítica do universo pop (algumas indiretas bem diretas determinam o lugar da banda, na direção de Los Hermanos e longe do Charlie Brown Jr... sem dúvida: a melhor direção possível...) então a popeira pode transbordar... Pop rock de garagem. Cansei já agora. Mas pode ser popeira minha. Daqui a meio hora fico em dúvida e quero mais. Regressão na audição? Pode ser, mas... Gosto disso! Conscientemente pro-fundo.
Acabo de assistir um filme do diretor grego Theo Angelopoulos chamado Eternidade é um dia(1998). Há dois dias assisti sua Odisséia, o filme Um olhar a cada dia (1995). Nos filmes desse diretor nada passa, a memória persiste e habita a vida dos personagens. Acredito que isso é verdade: nada passa mesmo. Porém a fidelidade depende da lembrança e também da importância que você dá a cada coisa. Em novas paisagens, novas fidelidades, novas memórias... É assim, simplesmente? Simplesmente, acho que não. Não é possível retalhar a realidade em fórmulas tão exatas. Mas a memória nos acompanha... as experiências boas e ruins que tivemos nos formam: somos elas. Contudo, nada mais importante que o dia de hoje, o dia que se está vivendo... nada mais urgente... esse é o paradoxo. Numa cena de Um olhar a cada dia, sob a névoa de Sarajevo, em ple guerra civil, jovens saem para dançar... a cortina de fumaça esconde a tristeza e o protagonista desajeitadamente aceita dançar... é a tristeza que dança...
Faltou palavras para dizer o que os fime me disseram... me identifiquei, basta. Então peguei parte de uma das falas de um protagonista:
Nos últimos meses meu único contato com o mundo foi este vizinho desconhecido, que sempre me responde com a mesma música. Quem é ele? De que ele gosta? Uma manhã, eu queria ir encontrá-lo, mas depois mudei de idéia. Talvez seja melhor não encontrá-lo e sim imaginá-lo. Será um eremita como eu? Ou talvez uma menina brincando com um desconhecido. Tudo passou tão rápido! Esta dor suspeita... minha obstinação de querer aprender, de querer saber... então as trevas... o silêncio em munha volta... o silêncio. Tu me faz crer que antes do fim do inverno com as etéreas silhuetas dos barcos, e seus súbitos desaparecer no céu, com os amants passeando, no sol poente, e a hipócrita promessa da primavera, me faz acreditar que antes do fim do inverno...Meu único pesar, Anna...- mas este é o único? -..é não ter terminado nada. Deixei tudo como um rascunho,espalhando palavras lá e aqui.
Assisti hojeClube da Luta. É um filme interessante que devia ter visto antes... a idéia de que a sociedade de consumo produz a violência como seu excremento natural é levada ao extremo neste filme. Já havia abordado esse assunto em um texto sobre a canção da Legião Urbana Baader-Meinhof Blues (clique aqui e veja o texto em PDF ). Acho que seria uma boa juntar o filme e a canção para produzir uma análise. Este filme também é citado pelo filósofo Slavoj Zizek em seu Guia pervertido de cinema (escrevi um textinho para o filosofia pop sobre este documentário e a questão da relação entre ficção e realidade ). O filme também pode ser em outras perspectivas: não acredito na idéia do Júlio Cabrera de que cada filme tenha um "conceito" essencial... Acho que não tenho muita coisa nova pra dizer além do que já disse no texto sobre a canção da Legião... O problema que hoje me amedronta talvez esteja mais na re-presentação desse tipo de espetáculo de violência: quando se presentifica parece mesmo um deja vu: e você o que faz com sua insônia? Transforma o vazio existencialista em ataque à geladeira? Ou saí pelas ruas procurando caminhos (ou uma briga)? Ou compra uma coca-cola ou alguma droga pra anestesiar a dor? Ou escreve reticências num blog reflexivo? Clube da luta: "é só você quem pode decidir o que fazer pra tentar ser feliz".
Minha comunicação não foi legal... Não gostei de minha postura e na auto-análise posso dizer que fui falho... Tá bem parte desse problema se deve ao fato de que eu entro no jogo deste debate: é um projeto meu, com intuições que desenvolvi e assinei..defenfo. Tentei ser informal e fazer com que as pessoas vizualizassem minha comunicação... vi que na sala tinha quadro e giz e fui pra ele rabiscar uma janela. Acabei sendo pouco preciso e em quinze minutos qualquer um teria suas vacilações, mas meu trabalho não é como um exame de fezes de rotina (nada contra os biomédiocos, a idéia é sugerir um procedimento de análise que não leva a descoberta de coisas novas, não é uma pesquisa... no caso do paciente, ele pode descobrir que é vítima de algo... mas não há invenção...) . A maioria dos trabalhos são assim: exames de fezes. Um procedimento padrão, que para quem o faz, não leva a nenhuma descoberta. Não existem riscos quando se trabalha assim... você enche seu curriculo e não sabe explicar o que você fez de original, como aquele trabalho se liga a sua vida... quando, você se arrisca no laboratório, pode sair de mãos vazias... pode fracassar... pode ser criticado... pode estar errado... acho que o experimento dessa comunicação falhou...mas aprendi pra onde não ir... e como não me portar.
Acabei de assistir Muito gelo e dois dedos d'água. Se existe um motivo para ver esse filme ele tem um nome: Mariana Ximenes. Além do fato óbvio de sua beleza: ela tem carisma. Acho que falta para ela maiores desafios, porque fica claro que como atriz se entrega totalmente. Acho que poderia ser a grande musa de qualquer grande diretor... A história de interpretar a adolescente revoltada não está colando (como já havia representado em O invasor, personagem que foi depois chupado -e caricaturado - para uma novela...). A forma como o universo das drogas aparece nesse filme (assim com em Árido Movie e Woody & Stock, que vi recentemente) me faz pensar que o Brasil perdeu mesmo parte da história... A procura de uma relação de cumplicidade entre o espectador e o universo das drogas é algo que não tinha visto em outros cinemas de forma tão natural como aqui... Psicodelia com quarenta anos de atraso... Mas acho que pra quem cresceu assistindo Xuxa e os Trapalhões como cinema nacional é isso que devo mesmo esperar de uma comédia: um convite à infantilização... Outra coisa que me assustei foi com a coisa do patrocinío regional: o filme foi rodado em Alagoas e - é lógico - o governo de lá gastou boa grana pra ter seu paraíso retratado... é como desfile de escola de samba: se o estado pagar bem é homenageado... mas, va-lei-me Mariana Ximenes...
já não era sem tempo... quer dizer: com muito tempo, muito tempo mesmo me dedicando a existência como "una cucarracha kafkiana", percebi que, se, talvez, mudasse de posição na hora de dormir... não, não é isso... é que treinava kung-fu e tô tendo resultados: abdomínal alargado. técnica sucuri. milenar em seu vagar lento: encho a barriga e me deito... nirvana deve ser olhar pro teto... zen budistas e eu nessa de prolongar o silêncio: mas não que ele ficasse denso. nada disso. ele ficava o mesmo. o mesmo. o mesmo. e eu nessa de tentar escrever: obrigação. é a coisa da assinatura. sem assinar escrevo cartas pra qualquer criatura vivente e demente... mas assinando. aí tem que ter algum amor. aí é que são elas. então é assim: não aprendi à terminar as coisas: aprendi o absurdo. engenheiros do hawaii, escutando Camus. se decidi deixar de ser heroí é hora também de seguir e encarar de frente esse absurdo. encarar de frente é seguir.... e a seguir: cenas do próximo conflito... sem esperança...
a formula é simples para essa metamnorfose. a princípio é necessário estar na casa de seus pais: de outro modo seria muito difícil juntar todas as coordendas. talvez se você tivesse uma sogra bem legal...mas não tenho certeza... aí você tá nessa de escrever, de ter que escrever e ler... e ter que escrever... e tem um prazo que vai se esgotando... e a imaginação... a imaginação: só melancolia.... José: vocês está sozinho mesmo... o derradeiro fechou à porta... e todos te perguntam: quando termina... se não perguntam é como se perguntassem... e a pergunta te persegue pela madrugada... e você, de cansaço, desmaia para tentar esquecer... noutro dia, acorda tarde, os livros estão lá... página em branco... mas você nem sabe que é outro dia... é tudo o mesmo... pronto, pronto, de repente pode olhar no espelho... já está pronta a transformação... apague a luz e pare de colocar reticências em tudo... viver assim é um absurdo, como outro qualquer... mas, já não era sem tempo...