Sobre Pouca Vogal e Enghaw



Postei no issuu uma prêvia do ensaio que estou escrevendo sobre o Pouca Vogal. Deve ser uma continuação do que antes escrevi sobre os Engenheiros do Hawaii. Os textos que havia 'juntado' num pdf que chamei Engenheiros do Hawaii: da engrenagems à mandala estavam disponíveis no Overmundo. Retirei este pdf de lá quando o blog que mantinha no overmundo foi deletado. A idéia era corrigir uma série de erros de português e até algumas idéias atravessadas. (o principal esta na página 58, onde se diz que para Rorty as "imagens teriam maior poder de convencimento do que as narrativas" deveria estar que "as narrativas tem maior poder de convencimento que as teorias. Erro grave. de  quem não faz revisão). Mas, alguém postou o antigo pdf no Scrib... então uso esta postagem para colocar de novo aqui (avisando desta minha insatisfação com essa versão do texto e prometendo uma melhor ou quiça um livrinho sobre demanda alinhado a disponibilização na net...).
Minha idéia é juntar tudo numa versão final. Para essa "versão final" já entrevistei o Carlos Maltz e estou planejando alguns ensaios. Este sobre o Pouca Voagl deve ser um tanto maior... etc.

Engenheiros Do Hawaii - Da Engrenagem À Mandala (Versão Preliminar)



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 17h53
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Por uma filosofia desde o Brasil - Julio Cabrera

Palestra do professor Julio Cabrera sobre a possibilidade de se pensar a filosofia no Brasil. Com uma interessante reflexão sobre este tema também na Argentina.



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 17h57
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dois poemas: o primeiro de 2010 o outro quase do século passado

Krítica tele-pática

Existe liberdade na arte de ter virtude (arete).

Pescar exige atenção no tempo, uma espera cuidadosa. É preciso saber interpretar (krités) as águas e, além disso, escolher (kritós) a isca e o lugar, a linha e o anzol, critérios (kritérion) para o que se quer alcançar.

Só assim é possível imaginar e trazer à tona, um peixe, que nas profundezas, ausente os raios do sol, faz-se luz. Feixe de atenção, fato ou feito da razão.

 


Luana Piovanni falsificando Camões

São belos os olhos verdes
Na capa da revista
Piedosas aparências
E descanso da tristeza
Tantos tormentos maiores
No dezembro de quase sol
Mais medo do que alegria
Vendo a banda... que passa
Nem a Luana Piovanni,
Falsificando Camões,
Nem alguma esperança:
E os olhos boto no chão.
Sei: “tenho andado distraído”.
Caminhando, já sem vento,
Longe do que vai dentro
Do peito há saudade
E pedras sem caminho.
São urubus imensos
Ou passáros barrocos
Que habitam o silêncio?
No tumulto uma canção,
música punk tropicália,
me lembra coca-cola...
eis a hora de partir, mas
¿Que quero ao fim da jornada
Já que tudo é um mar?



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 20h26
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Mais um texto... antigo na onda dos 50 anos de RR

Renato Russo e a Pergunta como Herança

 

Nenhuma nota na Folha de São Paulo. Nenhuma referência na grande imprensa tão ávida por datas. No último dia 11 de Outubro chegamos a 8 anos do desaparecimento de Renato Russo. Uma data a mais, que não tem nada de especial, mas que, deve nos servir para lembrar da importância e do legado desse que foi uma personagem central na vida de diversas pessoas.

Entre a década de 40 e a década de 60 do século XX alguma coisa mudou de maneira muito forte: antes as pessoas se identificavam pelos livros que liam, a partir da década de 60, o que cria as tribos é a música que aponta também para uma forma de comportamento, para uma forma de se vestir, para o que chamam de “estilo”. Por isso mesmo, a pop art se valia de “empilhar latas” como forma de arte: a cópia, a estética da repetição ganhava o mundo.

A estética da repetição age “vencendo pelo cansaço”: na música, um refrão é repetido tantas vezes, martela tanto a cabeça do ouvinte que acaba “pegando”. Você não pergunta se a pessoa gosta de determinado estilo ou artista e quando pergunta a resposta pode ser: não conheço. Conhecer virou sinônimo de gostar, de consumir. Não existe espaço para verdadeira crítica. A cultura (ou a falta de cultura) de massa se impõe na TV, no rádio, nas bancas de revista, enfim, através dos meios de comunicação de massa.

O salto da industria cultural no pós-guerra pode ser pensado como conseqüência da apropriação de esquemas fascistas de divulgação: de repente uma espécie de fascismo de consumo tornou-se a herança mais direta das doutrinas totalitárias. Leia-se 1984 de George Orwell, livro escrito no fim da década de 40, e depois compare com “nosso mundo tecnológico”. As mentiras continuam a ser repetidas e o mais comum é que se tornem verdades evidentes. Antes da Guerra no Iraque a maioria dos americanos pensava que tinha sido Saddam Hussein o responsável pelos ataques de 11 de Setembro. Falta de memória? Não sei, mas nos países fascistas a interpretação da história se deriva diretamente dos interesses da nação totalitária.

Onde queremos chegar com esse papo todo? Qual a importância de Renato Russo nessa embrulhada toda? A importância é que Renato Russo desvelou sua geração e essa realidade em suas músicas, batizou sua geração – a geração coca-cola – e, além disso, tentou buscar novos valores, novas formas de relacionamento que pudessem fundamentar uma nova ética. Para tanto se valeu de Camões e Buda, de Thomas Mann e George Orwell, de Friendrich Nietzsche e Jean-Jacques Rousseau, de Caetano Veloso e Chuck Berry, de Godard e Pasolini...multiplicou referências, desdobrou-se, tentou buscar alguma resposta, mas teve o mesmo fim de diversos ídolos roqueiros: foi consumido.

A Legião Urbana, banda de Renato Russo, se valia do “marketing do anti-marketing”: não ia aos programas de TV, dificilmente dava entrevistas, não expunha a vida pessoal de seus integrantes como exemplo ou como publicidade. Renato Russo se negava a falar de assuntos que não fossem música. Ele era formado em jornalismo e sabia das teorias de Benjamim, Adorno da tal Escola de Frankfurt: sabia que o publico consome as opiniões do artista, sabia que isso fazia parte de um fascismo cultural e se negava a participar desse jogo. Ainda assim: a Legião Urbana continua sendo a maior banda da história do rock nacional, seja em termos de vendagem/popularidade, seja pela qualidade de seu trabalho.

De qualquer forma: que bom que a grande imprensa se nega ainda a dar espaço para o trabalho de Renato Russo. Que bom que eles ainda se negam a dar o valor necessário à obra desse grande poeta. Talvez eles ainda não estejam preparados pra reconhecer que longe da ditadura cultural fascista tem gente que ainda tenta pensar sozinha. Tem gente que nada contra a maré do conformismo. E, mesmo assim, vence!

Afinal as datas não são tão importantes: esse ano deram mais importância ao aniversário do tetra do que aos 50 anos do suicídio de Vargas, mais importante os 10 anos da morte de Senna do que os 40 anos do golpe militar. Por isso continua sendo válido perguntar, (gritar, exclamar ) “Que País é este” e continuar tentando descobrir.             

 

Publicado na Folha do Sudoeste 14 a 20/10/2004



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 01h34
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Sobre os 50 anos do nascimento de Renato Russo

No dia 27 de Março Renato Russo estaria completando 50 anos. Nascido em 1960, tem praticamente a mesma idade de Brasília. Com a capital federal compartilha certa dimensão utópica, que reflete uma insatisfação com as coisas como estão, percepção que se traduz em melancolia, que inventa como contraponto, imaginação e esperança.

Para os jovens de Brasília cantar o “no future” dos punks era uma forma de tentar inventar sentido para a paisagem árida e sem esquinas onde se esperava materializar a Utopia de um país grandioso. A música urbana do projeto desenvolvido com o Aborto Elétrico tentava desvendar aquela paisagem e pensar um país que, como aqueles jovens, tentava se afastar das descrições alto-indulgentes para questionar seus costumes e o autoritarismo presente no cotidiano. Qualquer Utopia tradicional traz consigo uma dimensão totalitária: ao tentar subordinar a realidade ao ideal repetimos uma violência plena de teoria e idealização. A música urbana tinha seu romantismo, como marca do discurso punk e também da retomada de Rousseau por parte de Renato. João do Santo Cristo o “Bom Selvagem”!  Enfim, todos estão corrompidos quando se olham no espelho que nos desvenda “Índios”, com suas aspas contundentes (como “Heroes” de Bowie). O álbum Que país é este (1978-1987) foi um balanço e um eco de um grito que já perdera o sentido. A violência de um show em Brasília na turnê deste álbum reafirmou a necessidade urgente de outros caminhos, outras descrições de nós mesmos.

E assim, Russo continuou tentando “retratar o país”. Ainda que um país a ser construído, apontando para um dever-ser ou para o desespero de grandes decepções. Melancolia, imaginação e esperança. A procura por valores de uma ética de virtude. Exigências formais, desmedidas para uma sociedade que se fazia líquida. Contradições de uma vida intensa. Mais. A herança de alguém, que, entre a poesia e a profecia inventou-se como destino. Criou seu próprio fim, derivando da autodeterminação da arete (virtude) à arte. Arte não como técnica, como vida. Punk-se.

 

P.S.: Meu trabalho sobre a Legião Urbana está na fila da editora Mercado das Letras e deve se chamar Canção, estética e política: ensaios legionários. Com a liberação dos direitos, mas sem contrato assinado. Um dia saí. Por enquanto quem quizer pode ler o ensaio Faroeste Caboclo: um épico da (re)democratização do país clicando AQUI.



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 21h57
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Uma paisagem que precisa de legenda

Marcos Carvalho Lopes

(marcosclopes@gmailcom)

       Há  pouco tempo fiquei impressionado ao saber que o balneário Brasnipo é uma das marcas da migração japonesa em Jataí. É  estranho, mas, mesmo tendo nascido e morado por mais de vinte anos aqui, não conhecia essa informação. Parece um pormenor sem valor, mas me fez olhar em volta e me assustar com a forte presença de estrangeiros na construção da cidade. Poderíamos pensar na participação de italianos desde o principio do século XX, dos missionários norte-americanos (tanto protestantes quanto católicos), nos migrantes de origem árabe, russa etc. Nessa soma nem é preciso falar dos índios, judeus, portugueses, espanhóis, da cultura negra (que acena em rituais ainda marginalizados), nos gaúchos, nordestinos etc.; que parecem ter se fundido com neutralidade na ausência de memória sobre suas diferenças e contribuições específicas.

       A partir do século XIX, com a revolução industrial e a modificação violenta da paisagem urbana, a figura do flanêur, alguém que caminha pela cidade de modo anônimo em busca de seu próprio sentido, tornou-se comum. Não que se tratasse de uma novidade, mas então a paisagem pedia uma interrogação radical e a multidão proporcionava o anonimato (como percebeu Charles Baudelaire). As ruínas de milênios poderiam ser vistas muito próximas de construções recentes, que traziam a novidade da aceleração do capitalismo, onde, para utilizar o slogan de Marx e Engels, “tudo que é sólido derrete-se no ar”. Tal desmanche atingiu em cheio a História com o que chamaram pós-modernidade: Friendrich Nietszche, o Nit, acreditava que o excesso de estudos históricos seria prejudicial para a vida; a erudição, que busca resolver problemas por meio de análises históricas geraria uma “cultura de antiquário” que forma enciclopédias ambulantes presas a um “manual de cultura interior para bárbaros exteriores”. Esquecer seria o caminho para abrir espaço para a imaginação que cria o novo.

       Nietsche estava justificado em seus ataques ao excesso de veneração da História, contudo, tomando suas palavras de forma irrefletida, tratamos de destruir antes de construir algum sentido para a paisagem: como povos bárbaros miscigenados, o apelo a uma essência tradicional não nos leva para a Grécia Antiga, mas ao bom selvagem e a idéia de Utopia que nasce com o Novo Mundo. De início já possuímos a ironia em relação a qualquer “sistema filosófico” que queira abarcar todas as coisas e propor uma ordenação (teleológica) para a História. A cordialidade traz consigo o afeto autoritário, o clientelismo enraizado (“para os a amigos tudo, para os inimigos a lei”) combina vícios públicos e benefícios privados (a “regra” de sempre levar vantagem em tudo), o culto de um “ridículo tirano” populista e carismático (do “maquiavelismo Macunaíma”, na visão de Arnaldo Jabor), e a promessa de redenção, quando surge, se dá romanticamente, na exaltação do sincretismo, na arte de cantar um país imaginário.

       Sem raízes, sem História, não percebemos a paisagem como “nossa”: a destruímos antes de poder habitá-la de forma significativa. O significado é construído pela cultura. Sem cultura, a esfinge trata de repetir sua interrogação (“me decifra ou te devoro”) de geração para geração, reafirmando o nada que leva a ausência de responsabilidade. Bons historiadores poderiam construir e ensinar narrativas interessantes sobre este lugar, resgatando assim a possibilidade de comprometimento, não tanto com o passado, mas com o futuro que queremos.

       Nestas paragens a transição do memorialismo para a História é urgente, porém, tal transformação só me parece possível pelo diálogo e construção de novas perguntas, novos problemas, que coloquem em questão o sentido da paisagem. Tivemos no ano passado o centenário da migração japonesa no Brasil, mas quando e quantos destes imigrantes estiveram presentes em Jataí? Que tipo de contribuição deram para nossa sociedade? Como lidaram com as diferenças? A mesma questão vale para o norte-americanos, e pode ser feita tanto aos católicos quanto aos protestantes. Como as míticas interrogações de Toniquinho JK influíram na construção da memória da cidade, de sua auto-imagem? Na construção da paisagem arquitetônica, é possível encontrar essa vinculação com a capital federal? A canção sertaneja não é (também) hoje um simulacro da agonia do machismo diante da emancipação da mulher, que paira como presença ameaçadora e redentora? (Ulisses que canta em dupla com o Saci, amarrado nos trocos do cerrado, com medo do encanto das Iaras!) Não reafirmam tais canções (assim como todas do emocore) uma estrutura edipiana infantilizadora ao cantar um momento de idílio com a mulher amada/odiada, que é rompido por conta de um usurpador? (Aceitar acriticamente o pressuposto machista de Cabocla Tereza hoje não dá pé!).

       Escrevi este texto há algum tempo e o deixei na gaveta, mas flanando pela cidade vi o resultado parcial da reforma da Praça Tenente Diomar Meneses. A derrubada do que restava do coreto e a retirada das pedras portuguesas pessoalmente me incomodaram. Sei que não é uma questão que tenha repercussão pública, já que há muito a praça precisava de reformas. O que me cabe é botar um ponto de interrogação sobre essa “metafísica dos turistas futuros” e do “progresso”, que pode cair na armadilha de uma cegueira quanto a qualquer dimensão de tradição (possível).   

       Marcos Carvalho Lopes é doutorando em Filosofia na UFRJ.



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 20h35
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num desses caminhos perdidos... encontrei Shirin Neshat

Frequentemente para os meus trabalhos desenvolvo uma pesquisa em que muito se perde, ou, no máximo, se torna uma nota de rodapé estranha. Ainda estou escrevendo sobre Foucault e Kant, quer dizer, sobre a leitura que o último Foucault faz do texto do filósofo alemão sobre "O que é Iluminismo?" , que foi escrito para um jornal. Foucault não deixa de notar que os jornais então propunham questões para as quais não tinham respostas claras, hoje, ao contrário, quando um jornal propõe uma questão a um entrevistado, ou quando lemos a coluna de alguém, já podemos ter antes (a priori) o conteúdo da "resposta". Diferentemente disso, a pergunta para Kant tomou uma forma de desafio que levava a se perguntar pelo sentido de seu próprio tempo e, de certa forma, da sua filosofia.  A questão sobre o sentido da Aufklärung repercutiria como problema que move a filosofia moderna.

Foucault tem publicados, postumamente, dois textos com o mesmo título O que é Iluminismo, sendo que, no primeiro deles (o que esta linkado), toma como mote o artigo kantiano sobre a Aufklärung, mas fala de um dos textos do filósofo alemão que fazem arte de uma obra posterior chamada O conflito das faculdades. Neste texto a questão de Kant é sobre o progresso moral: existiria algum sinal de que existe tal aprimoramento da sociedade? Este signo Kant encontra no entusiasmo que ocorreu por parte dos espectadores da Revolução Francesa: de certa forma, alí ocorria uma alteração que todos os participantes/espectadores sabiam inelutável. Pois bem, a questão desse entusiasmo ante a revolução  e do iluminismo seriam para o filósofo francês  interrogações ante as quais o pensamento moderno não pode deixar de se posicionar.

Ocorre que em 1978 (os textos sobre o Iluminismo são de 1983), Foucault fez para um jornal italiano a cobertura da revolução iraniana. Os textos de Foucault causaram controvérsia, uma vez que, o pensador francês não se posicionou como era esperado contra a revolução teológica fundamentalista e chegou mesmo a cunhar o conceito de espiritualidade política, para tentar dar conta daqueles acontecimentos que o entusiasmavam pela força da vontade popular encarnada, mas também o assustavam e foram, provavelmente, motivação para uma reformulação de sua noção de poder ,numa direção que bsuca pensar as possibilidades de autonomia etc. Esse assunto fica para meu texto. Acontece que essa tentativa de olhar o outro como um mesmo tem sido retomada no trabalho da artista iraniana Shirin Neshat. A forma como ela retratou a mulher iraniana causa polêmica por não se posicionar de modo "crítico", mas sim, procurando descrever mais do que julgar. Vejam estes vídeos com algumas de suas fotos e avaliem: não dá  o que pensar sobre o sentido do Iluminismo?

Conversando com um professor de Direito sobre a  alta qualidade de vida de Singapura, ele trouxe a interrogação sobre a arte de lá: você por acaso sabe me falar de algum artista de Singapura, de algum escritor? Daí concluiu: sem liberdade de expressão não se produz arte, cultura. Não discuti: ele é Dr. Advogado. Mas quem há de negar que ainda hoje no Brasil existe um saudosismo sobre a qualidade da “arte” nos tempos de Ditadura? E quem há de negar o valor do cinema iraniano, que sobre regras rígidas da censura local, teve que se purgar da influência ocidental, e, assim, acabou por construir uma perspectiva própria? Isso não nos trás uma resposta, mas relembra a relação tumultuada de Eros e Thanatos, melancolia e imaginação, da morte e da Fênix... Não se trata de defender nada dessa negatividade, mas de não negá-la simplesmente.   

Abaixo, segue um vídeo duplo que fazia parte da instalação Turbulent, de 1998, em que Shirin Neshat tentou mostrar certo distanciamento em relação ao universo iraniano, tematizando a relação entre masculino e feminino naquela sociedade.

 

 

P.S.: por problemas técnicos no blog da uol não pude aqui escrever tudo o que queria



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 04h08
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Foucault, Filosofia e Psicologia

Nunca estudei Foucault na graduação em Filosofia. Tentei ler sozinho na época, mas não fui muito longe. Depois, na faculdade de Letras, no ano e meio de curso que fiz, tive acesso a uma versão de Foucault via Althusser, Michel Pêcheux que me parece hoje um convite à paranôia. No mestrado, trabalhando sobre "Limites da Interpretação" no debate entre Richard Rorty e Umberto Eco, de modo insuspeito, acabei aprendendo bastante sobre esse filósofo. Mas só agora estou tendo que estudálo com mais cuidado, escrevendo artigo para uma disciplina sobre o trabalho do último Foucault (de 78 até 84) e sua reinvindicação da posição de herdeiro do Iluminismo de Kant.

Depois escrevo mais sobre este trabalho.

Abaixo seguem três vídeos em que em 1965 Foucault fala sobre Filosofia e Psicologia...

 



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 10h59
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pra (re)começar...

Pensei em apagar todos os posts anteriores para recomeçar esse blog já que não me reconheço nas coisas que estão nele. Mas... as reticências ganharam. Então pra (re)começar posto esta foto porque ela marca uma mudança de lugar que deve influir bastante no como das coisas que tenho para dizer. Entre Jataí-Goiás e este lugar a distância não é tão grande assim: 23 horas de ônibus. Mas as possibilidades de diálogo são sim muito maiores. Isso se deve muito a força da coerção no sentido da formação de identidades. Em cidades pequenas as caricaturas tendem a ser bem caricaturadas e sobram muito pouco espaço para diferenças, de tal modo que quem fica a margem fica fora... e quem sobe nas árvores para ver melhor, tentando ser cosmopolita, como um Cosme de romance,perde o chão e as raízes... Por aqui conheci um poeta chamado Gilbeto Mendonça Teles. Quando fui na casa dele (sim!, diferente dos cariocas ele, como goiano, me convidou para ir em sua casa e queria realmente que eu fosse),conversamos um bucado e tomamos café (que ele mesmo fez, sem citar Bandeira). Gilberto me apresentou um Goiás e um sertão que agora começo a ver: de longe me sinto cada vez mais goiano. Numa comunicação sobre Proust numa faculdade daqui, mais por vício do que por ignorância dizia o nome do escritor francês como se escreve mesmo. No fim  um sujeito gordo, de terno e gravata com a etiqueta "advogado" na testa me perguntou se Proust era da região da Alsácia -Lorena para que eu pronunciasse o nome dele daquele modo. Expliquei para ele que vinha de Goiás e lá as pessoas chamavam Proust daquele jeito e ele vinha, ou seja, se entendiam. Minha orientadora estava do meu lado , ouviu o acontecido , sorriu e reafirmolu para o moço de gravata "É, ele é de Goiás".



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 01h59
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Carnaval: Ditadura da Felicidade



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 23h01
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Caetano Veloso

Há cerca de dois meses estou as voltas com Caetano Veloso... A idéia é escrever um artigo, mas é dificil não se preder no meio do caleidoscopio de idéias que surgem a partir da obra de Caetano. Percebi que, a partir dessa análise, poderei fundamentar melhor algo sobre a posição da música popular na cultura brasileira e sua tentativa de traduzir o próprio tempo em pensamento. Se é assim, seguindo Hegel, o espírito aqui não passou, ficou na roda e dançou o samba... selva das semelhanças, analogias e onde a água gira no ralo no sentindo inverso da Europa: América é lugar de Utopia, de querer inventar... sem ressentimentos com a América do norte, vamos arregaçar as mangas e seguir Caetano que achaque o Brasil vai dar certo porque acorda todo dia e faz o melhor para que isso aconteça...  Posto então, pra ilustrar duas canções:Uma canção é pra isso, com o Skank e três canções com JOão Gilberto - pra homenagear Caetano nada melhor - Você vai ver, Desde que o samba é samba Eclipse...  me interessa o paralelo que se pode fazer entra a canção do Skank e Desde que o Samba é samba de Caetano: as duas apontam na mesma direção que me interessa...  

 

Você vai ver, Desde que o samba é samba Eclipse com João Gilberto

Uma canção é pra isso - Skank



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 00h37
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Jataienses: O enigma de um sorriso

Canta, musa, a peripécia, as aventuras, e a sub

versão do anti-herói que um dia, interrompendo os presságios

dos caiporas, regressou à sua terra natal

de onde nunca saiu, pois residia em sua lenda,

encerrado nos moirões, gemendo sobre as cancelas,

ou pulando debochado e sensual no seu pé

de vento na capoeira e nos fundões de Goiás.

(Gilberto Mendonça Teles)

 

 

Existem bem mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. O limite entre o sagrado e o profano pode estar em um sorriso. A condenação do sorriso é uma necessidade para a preservação da sociedade. A seriedade das imagens aponta para uma ordem almejada para além da história. O herói sobe ao Olimpo e alcança algo de sagrado. Seu lugar é acima das contendas humanas. Alcançar o herói é buscar seguir o Destino de grandeza que sua figura representa.  Ele é Destino e não história. Com sua seriedade, não se prende ao passado: seu olhar indica o futuro, o eterno.

Sua figura é limpa de qualquer nódua. É simples, objetiva. Transborda poder e penetra na alma dos que com ele se identificam. Sua dor é sóbria. Sua altivez é nobre. Contempla as fraquezas humanas com superioridade. Ascético e paternal, o herói é a lembrança de que podemos ser muito mais do que somos. Ele é o homem essencial.     

Por isso mesmo, o sorriso da Mona lisa de Leonardo Da Vinci é subversivo. É um sorriso que não se estabelece, que se anúncia apenas. Seus olhos não se entregam a esse movimento e permanecem desafiando quem a encara. Suas mãos gordas – píntadas por quem estudava anatomia a partir de cadáveres, seu corpo inchado, trazem a morte como elemento. Suas feições andróginas, cínicas.  Mas a Mona lisa não era uma heroína. Porém sua imagem corrompia os ideais de ordem.

Quando os heróis sorriem toda a hierarquia se curva. Se um herói é celebrado e eternizado com um sorriso provavelmente faz parte de uma sociedade bárbara. Um herói de guerra em um busto de bronze sorridente parece ser signo dalguma maldição. Do que ri essa figura?

A paisagem é o cerrado, ele mesmo contorcido. Eternamente barroco. Amante do fogo. Surreal como relógios de Salvador Dalí. O agá dos eróis goianos.

Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 01h15
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Na pele de Socrátes- baseado em texto de Woody Allen

Encontrei esse curta no youtube dirigido pelo Coelho de Moraes (que exatamente não sei quem é)... Achei interessante e se fundamenta num texto de Woody Allen... 

 



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 00h59
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Woody Allen e a filosofia

O médico, escritor e filósofo nas horas vagas Flávio Paranhos está preparando um livro sobre o cineasta Woody Allen e a filosofia. Por enquanto dá pra ler seu texto no Jornal Opção resenhando um livro e indicando o caminho que não segue em suas análises: clique na imagem de Allen e confira.



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 00h56
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Günther Anders: Lembrança de Heidegger. Março de 1984

 "Pessoalmente mal conheci Heidegger. Uma vez em Marburg – esquece-me como isso ocorreu – pernoitei na casa do casal Heidegger. A conversa correu bastante bem, após um jantar em que comemos massa. Então citei, sem inicialmente nomear o autor, o magnífico dito de Voltaire: “Não basta gritar: é importante, também, não ter razão”. Embora totalmente destituído de senso de humor, ele se divertiu. Quando, porém, expliquei que o dito era de Voltaire, primeiro ela – após o quê, também ele – ficou de cara amarrada. Mas a noite só se estragou completamente quando eu continuei, no tom mais inocente do mundo, dizendo que, naturalmente, era válido também o dito simétrico: “Não basta murmurar: é importante, também, ter razão”. Enquanto ela, naturalmente, não entendeu nada, ele por um momento me lançou um olhar cheio de ódio. Sentiu-se posto a nu. Pois era sua tática diária forçar, através de um murmúrio quase inaudível, um silêncio total na sala, para convencer os ouvintes de que tudo o que eles tinham conseguido ao menos acusticamente capturar tinha sido “desvelado”, logo, verdadeiro; não: tinha sido a verdade."
De: ANDERS, Günther. Über Heidegger. München: Beck, 2001, p.11.

Do blog do filósofo e compositor Antonio Cícero: http://antoniocicero.blogspot.com/  em comentário ele explicou que "Günther Anders foi marido de Hannah Arendt, que, como você sabe, era judia e foi amante de Heidegger, antes deste entrar para o Partido Nacional-Socialista. Se resta alguma dúvida sobre o grau dos comprometimentos nazistas de Heidegger, nunca houve nenhum em relação ao nazismo da sua mulher.
A frase sarcástica de Voltaire foi apreciada por Heidegger, antes de saber que era de Voltaire, mas não depois, uma vez que ele tinha horror ao Iluminismo. Que dizer do que sua mulher devia pensar de Voltaire?
Quanto ao final, é claro que Anders desmascarou uma técnica de Heidegger, que, cada vez mais, desprezava a razão -- ratio --, interpretando a Vernunft como vernehmen... "



Escrito por Marcos Carvalho Lopes às 00h15
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